quarta-feira, 11 de março de 2015

JOGOS FLORAIS
Cacaso

Minha terra tem palmeiras
onde canta o tico-tico.
Enquanto isso o sabiá
vive comendo o meu fubá.
Ficou moderno o Brasil
ficou moderno o milagre:
a água já não vira vinho,vira direto vinagre.

Minha terra tem Palmares
memória cala-te já.
Peço licença poética
Belém capital Pará.
Bem, meus prezados senhores
dado o avançado da hora
errata e efeitos do vinho
o poeta sai de fininho.
(será mesmo com dois esses
que se escreve paçarinho?)

                                 meu caminhar lento e desajeitado, não diz nada sobre mim...
                                                              porque haveria de dizer?


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

FIM DE TARDE

Olho na estrada um inicio de aperto
ainda é dia... há que se esperar o retorno
haverá de chegar, sempre chega...
um sonho trazido com vento
um desejo que é apagado;
chega de mansinho a saudade com suspiro,
uma lembrança com sorriso.
há um trilho por onde se caminhou
ou se caminha todos os sentimento que podem
 adormecer e de repente despertar, ou está vivo e saudavel
pela manhã e ao entardecer dar seu ultimo suspiro.
Tão lenta e discretamente a noite chega
aos poucos tingido o céu de negro
e a espera fadonha continua
o aperto agora incomoda e o desespero toma o peito
olho na estrada
olho nos trilhos
a noite já banhou os campos
e a estrada foi coberta por um negro
como o desespero, 
a espera cansa...                              

há de chegar!!!

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

FANATISMO


uma tarde tão triste ou triste estou eu?
estou vestida de Florbela Spanca...



FANATISMO
Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
“Tudo no mundo é frágil, tudo passa... ”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim! ... ”

terça-feira, 6 de novembro de 2012

All & Star


Então ando correndo demais...
Essa distancia nos une no mesmo instante
Que nos separa...
A hora marcada o corpo sai
Procura algo o que será?
Fareja como um cão, 
sente o cheiro dela?
Caminha sem equilibrio 
como quem carrega o mundo nos ombros
Seus olhos brilham quando avista no longe... que será?
Uma flor... negra... flor da meia noite
É como a chama.
E sorriem e brincam até cansar
Recomeçam, dançam e caem é uma ciranda de dois
Entrega-lhe o mundo,
E com os ombros leves já podem voar 
e não vão cada um em seu cavalo
Mas são agora apenas um...
São All e Star.   

Pingos


Então ele se foi?
Ele nem esteve por aqui...
Ele nunca esteve.
E de quem são as roupas no armário?
Há roupas no armário?
Sim, cheirando a tempo.
Muito tempo?
Mais do que poderia dizer...
E hoje ele volta?
A essa hora deve estar a caminho,
Passou por três marias cruzou com Aluisio
Rompeu com os ferros na estrada, sim
Ele vem hoje!
Calou-se?
O que posso dizer contra sua certeza?
Que ele não virá?
Que ele não a ama!
Isso é tudo?
Digo-lhe que estas louca.
Haveria algo mais fascinante que a loucura?
Eu não sei amar, não sei cuidar, só sei querer...
Esse teu querer ainda a tornara prisioneira
Qual o que? Mais presa  não posso ficar.
Quer que eu diga?
Diga já não faz diferença mesmo!
Ele não virá.
Ele nunca veio.
Não há roupas, nem armário
Não houve beijos, nem corpo,
Ele não existe, nunca existiu!
Eu sempre soube, durma bem querida.          

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A espera


e a noite que se seguiu foi de uma lentidão
ele não estava, ela também não,
estava no quarto, nos sussurros...
estava agora sem cobertor
maldizendo a necessidade, a vontade,
agarrada ao cheiro preso no lençol,
arrastando o olhar para a porta onde ele
esteve a sorrir...
e o corpo pesa-lhe no sentir,
sente doer a ferida de camões

e não se explica essas loucuras de querer
e não se duvida sobre o corpo, apenas deseja-o
e há vida lá fora, 
uma chuva fina e preguiçosa,
ela não chora, não se move,
não se perde no esperar
a todo vapor as casas caminham
a vida caminha
caminham os automóveis
caminha, caminham tudo
enquanto ela o espera...

                                                                                                                  Mari Santos