sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A espera


e a noite que se seguiu foi de uma lentidão
ele não estava, ela também não,
estava no quarto, nos sussurros...
estava agora sem cobertor
maldizendo a necessidade, a vontade,
agarrada ao cheiro preso no lençol,
arrastando o olhar para a porta onde ele
esteve a sorrir...
e o corpo pesa-lhe no sentir,
sente doer a ferida de camões

e não se explica essas loucuras de querer
e não se duvida sobre o corpo, apenas deseja-o
e há vida lá fora, 
uma chuva fina e preguiçosa,
ela não chora, não se move,
não se perde no esperar
a todo vapor as casas caminham
a vida caminha
caminham os automóveis
caminha, caminham tudo
enquanto ela o espera...

                                                                                                                  Mari Santos

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